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Risco Inerente, Potencial e Real: Um entendimento básico de suas características

A análise de riscos tornou-se um elemento central da gestão contemporânea, independentemente do porte ou do segmento da organização. Em um ambiente cada vez mais complexo, regulado e volátil, decisões baseadas apenas em dados históricos já não são suficientes para garantir a sustentabilidade dos negócios. A capacidade de antecipar incertezas, compreender exposições e avaliar consequências passou a ser determinante para o alcance dos objetivos estratégicos, operacionais e financeiros. Nesse contexto, a gestão de riscos deixa de ser um exercício pontual e passa a integrar o próprio modelo de gestão, exigindo método, disciplina e linguagem comum.


Mais do que uma exigência normativa ou técnica, a abordagem de riscos representa uma mudança de mentalidade. Profissionais que desenvolvem a chamada mentalidade de risco passam a analisar processos, decisões e atividades sob a ótica da exposição e do impacto, e não apenas da execução. Essa lógica está presente de forma intuitiva na vida cotidiana: ao dirigir, avaliamos a velocidade da via, as condições climáticas e o comportamento de outros condutores; ao planejar uma viagem, consideramos prazos, custos, imprevistos e alternativas. No ambiente organizacional, essa mesma forma de pensar precisa ser aplicada de maneira estruturada, consciente e documentada, reduzindo a dependência de improviso e aumentando a previsibilidade dos resultados.


Dentro desse arcabouço, o risco inerente representa o ponto de partida da análise. Trata-se do risco intrínseco à própria natureza da atividade, processo ou decisão, existente antes da adoção de qualquer controle ou medida de mitigação. Ele decorre simplesmente do fato de a atividade ser executada. Operar máquinas envolve, por definição, riscos de acidentes; processos financeiros carregam riscos de erro ou fraude; atividades em altura implicam risco de queda. Identificar o risco inerente é fundamental para compreender a exposição original do processo e estabelecer uma base sólida para qualquer ação de controle.


O risco potencial, por sua vez, amplia essa visão ao considerar os eventos que podem ocorrer em determinados cenários futuros. Ele está associado a hipóteses, falhas possíveis, mudanças de contexto ou desvios operacionais, funcionando como uma lente prospectiva da gestão de riscos. Um equipamento pode apresentar potencial risco de falha caso a manutenção não seja realizada; um projeto pode ter potencial risco de atraso se depender de um fornecedor único; um processo pode estar sujeito a potencial risco de não conformidade diante de alterações regulatórias. Esse tipo de risco é amplamente explorado em análises de cenários, planejamento estratégico e gestão de projetos, pois permite antecipar vulnerabilidades antes que elas se materializem.


Já o risco real, tecnicamente denominado risco residual, corresponde ao risco que permanece após a implementação dos controles existentes. Ele reflete a exposição efetiva da organização e é o risco com o qual se convive no dia a dia. Mesmo com procedimentos, treinamentos, proteções físicas e sistemas de controle, dificilmente o risco é eliminado por completo. Sempre haverá um nível residual que precisa ser conhecido, monitorado e, sobretudo, decidido. É nesse ponto que a gestão assume seu papel: aceitar o risco, mitigá-lo ainda mais, transferi-lo ou eliminá-lo, quando possível.


A compreensão integrada desses três tipos de risco fortalece significativamente a tomada de decisão. O risco inerente revela a natureza e a intensidade da exposição original; o risco potencial amplia a capacidade de antecipação; e o risco real orienta decisões práticas e responsáveis. Essa lógica está plenamente alinhada às diretrizes da ISO 31000, que estabelece princípios para uma gestão de riscos sistemática e integrada, e dialoga diretamente com etapas do planejamento estratégico, como a análise de Fatores Críticos de Sucesso, onde riscos e oportunidades influenciam o alcance dos objetivos organizacionais. Em nível operacional e de projetos, ferramentas como o FMEA materializam essa bordagem ao identificar modos de falha, suas causas, efeitos e ações preventivas, transformando a análise de riscos em um processo estruturado e mensurável.


Dessa forma, fica evidente que a abordagem de riscos não deve ser tratada como uma opção ou como um requisito burocrático. Ela é uma necessidade organizacional e profissional. Empresas e gestores que negligenciam a análise de riscos tendem a atuar de forma reativa, expostos a perdas, retrabalhos e crises evitáveis. Em contrapartida, aqueles que incorporam a mentalidade de risco à sua rotina decisória tornam-se mais preparados, resilientes e estratégicos. Gerenciar riscos não significa eliminá-los completamente, mas compreendê-los, tratá-los de forma consciente e decidir, com base em critérios claros, quais riscos serão mitigados, eliminados ou aceitos. Em um ambiente de constante transformação, essa capacidade deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito fundamental para a sustentabilidade e a competitividade das organizações.















4 comentários

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há 2 dias
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Parabéns pelo artigo, muito elucidativo.

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há 2 dias
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Muito bom artigo!

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Euládio Monteiro de Froes
05 de fev.
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Só tinha escutado sobre risco real e potencial mas nunca sobre risco inerente. legal esse aprofundamento.

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Convidado:
05 de fev.
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👍

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